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Novo dia

2007 Dezembro 4
Publicado por Joana Garcia Lima

Toca o despertador. Eternamente sonolenta, desligo-o para o ouvir repetir o aviso sete minutos mais tarde. Sento-me ainda de olhos fechados para acalmar as ideias e acordar com sossego o meu sono. Após o leve treino de acordar, com os olhos já despertos, penso no dia que terei pela frente, ganhando coragem para sair da maciez tranquila e segura dos meus lençóis. Desperta novamente, ao qual reajo após um momento de preguiça para fazer qualquer tipo de movimento. Desligo e levanto-me.

Preparo o pequeno-almoço… uma torrada com manteiga e uma chávena de leite com café (às vezes, quando o momento exige, apenas o café). Enquanto o pão torra e a chávena é aquecida, vou à casa de banho lavar o rosto, para que este desperte um pouco mais do transe de sonolência em que ainda se encontra. Sorrio. Um novo e fatigante dia virá, mas tenho força… ainda a tenho comigo. Tenho e terei. Desloco-me novamente à cozinha, agora mais animada, pegando no meu pequeno-almoço para o poder levar para a varanda, onde sacio a minha gula matinal, pois a fome, a essa hora, não é notável. Aprecio o dia, tão belo, tão novo. Aprecio o momento, tão meu, só meu…

Vou ao quarto, depois de colocar a louça suja no mármore frio, e visto-me. Peça por peça, escolhida aleatoriamente sem grande cuidado, mas com um resultado normalmente satisfatório. Recorro ao espelho para me maquilhar, disfarçando as olheiras insistentes e desejo um bom dia a mim mesma.

Começo assim…

Fim-de-semana

2007 Janeiro 11
Publicado por Joana Garcia Lima

E cá estamos nós novamente num encontro de palavras. Aparentemente, hoje estou inspirada. Voltando ao que interessa… mas que vida cansativa! Andamos tanto de um lado para o outro que nos esquecemos de que temos em casa sofás e televisão e um bom cobertor para o fim-de-semana… pois este fim-de-semana vou usa-los. Vou começar esses dias com uma boa música, uma boa vela, incenso… uma chávena de leite com café bem morna e o meu sofá aconchegante com aquele cobertor quentinho. Ah, o fim-de-semana…

Comportamentos

2006 Dezembro 7
Publicado por Joana Garcia Lima

Admito que ando viciada em comportamentos alheios. Quando vou pela rua, quando entro em lojas, quando vou às compras, quando estou com a família, quando estou com os amigos, quando vou ao café, etc. A vida das pessoas realmente fascina-me. Não, não é um caso de “cusquice” porque realmente dessa “doença” nunca sofri, mas quando se começa a observar os movimentos e comportamentos das pessoas… consegue-se perceber o que a pessoa é, como é, o que faz, o que pensa… e se tivermos bem atentos, às vezes até conseguimos perceber o que querem! Questão de psicologia, mímica, dom ou pura atenção? São tantas as coisas que podemos fazer… principalmente se em vez de nos pavonearmos em frente aos outros só para chamarmos atenção (como a maioria das pessoas faz), nos limitassemos a passar algum tempo dedicado os outros. A meu ver, aprendemos muito mais. Quando o fazemos, começamos a ter mais noção do que somos para eles em vez de apenas sabermos o que os outros são para nós. De certa forma, sinto-me aliviada por saber que conheço as pessoas à minha volta, principalmente amigos, e saber a melhor forma de cuidar deles. Porque às vezes, um gesto de ternura cai bem.

O Natal

2006 Dezembro 5
Publicado por Joana Garcia Lima

Tudo começa com “o que lhe vou dar?” e “o que vou vestir?”. Tenho de admitir que esta não é propriamente a minha época favorita. Passamos a preocupar-nos com coisas tão banais como que presente iremos dar, o que vamos vestir e até chegamos ao ponto de ter uma dor de cabeça porque não sabemos o que pôr no centro da mesa da sala de jantar. Vamos às compras e quando temos as prendas todas, a roupa que vamos vestir e a decoração para a casa, começa o problema do que vamos dizer, que cartões iremos mandar e o pior de tudo… onde vamos passar o Natal. (Nisso, eu não tenho problema). Depois quando o Natal chega e provavelmente vamos passa-lo com a nossa família e aí o problema recomeça. As crianças irrequietas, a comida a mais (que depois nos faz sentir culpadas por termos comido mesmo sabendo que era a mais), o membro da família que não nos larga porque nos quer fazer sentir bem mas não se apercebe que nos está a saturar em demasia, a espera infinita para sairmos dali e irmos para a cama, as piadas (decididamente sem graça) que são feitas ao longo das refeições, das quais nos temos que rir senão parece mal, o frio, a humidade, as mensagens a chegar e o telemóvel a ficar sem bateria, o membro da família a voltar, a criança a não nos largar… céus! O Natal que era suposto ser um dia harmonioso passado agradavelmente em família, torna-se num pesadelo! E quando queremos tentar uma forma diferente de passar a época natalícia, não nos é permitido. O meu Natal não é certamente diferente de todos os outros. Todos os anos vou com os meus pais para Ponte de Lima passar o Natal com a minha ilustríssima família paterna. Ora acontece que o meu Natal não tem nada de especial e a melhor parte da noite nem sequer são os presentes, mas sim jogar com uma prima minha ao Monopólio na sala, enquanto esperamos que chegue a meia noite. Enquanto isso enfardamo-nos (eu pelo menos) de bolinhos de bacalhau que a nossa avó fez e aturamos a priminha pequenina que também quer jogar e por não deixarmos, destrói as casinhas e quase tudo o que a gente pôs no jogo. Enquanto isso o resto da família debruça-se sobre variados temas na cozinha, com a televisão ligada para “o ninguém”, enquanto nós gelamos a jogar na sala à espera que aquilo acabe rápido para nos podermos aconchegar nos quentes cobertores das camas em que vamos dormir. No dia seguinte, levantamo-nos cedo para irmos todos juntos à missa e beijar o pézinho do menino Jesus, enquanto uma centena de pessoas idosas, à nossa frente, baba o dito pézinho. Lá acaba a missa e nos dirigimos aos carros para voltarmos ao aconchego das nossas casas. Quando lá chegamos, somos outra vez atacados com uma mesa cheia de comida e da qual temos de pelo menos provar, senão dizem que fazemos uma “desfeita” ou que estamos a fazer dieta. Eu e as minhas primas passamos o resto da tarde sozinhas a falar de diversos assuntos que nos agradam e a jogar no computador ou a “vaguear” pela internet. Chegada a noite, dirigimo-nos a muito custo (devido ao frio) novamente para a casa dos nossos avós para jantar. Voltamos a ser atacados por toda aquela comida, da qual a esta hora já só ataco os deliciosos bolinhos de bacalhau, na esperança de que quando viermos embora para a nossa casa, a avó ainda nos mande alguns. Assim, do meu Natal, todos os anos, apenas é aproveitada a noite a jogar Monopólio, a tarde ao computador e os bolinhos de bacalhau da avó. Admito que esta época nem sempre foi assim e quando se é criança não se observa tudo. Mas agora, gostava de mudar o meu Natal… talvez um dia, com a minha própria família.