Toca o despertador. Eternamente sonolenta, desligo-o para o ouvir repetir o aviso sete minutos mais tarde. Sento-me ainda de olhos fechados para acalmar as ideias e acordar com sossego o meu sono. Após o leve treino de acordar, com os olhos já despertos, penso no dia que terei pela frente, ganhando coragem para sair da maciez tranquila e segura dos meus lençóis. Desperta novamente, ao qual reajo após um momento de preguiça para fazer qualquer tipo de movimento. Desligo e levanto-me.
Preparo o pequeno-almoço… uma torrada com manteiga e uma chávena de leite com café (às vezes, quando o momento exige, apenas o café). Enquanto o pão torra e a chávena é aquecida, vou à casa de banho lavar o rosto, para que este desperte um pouco mais do transe de sonolência em que ainda se encontra. Sorrio. Um novo e fatigante dia virá, mas tenho força… ainda a tenho comigo. Tenho e terei. Desloco-me novamente à cozinha, agora mais animada, pegando no meu pequeno-almoço para o poder levar para a varanda, onde sacio a minha gula matinal, pois a fome, a essa hora, não é notável. Aprecio o dia, tão belo, tão novo. Aprecio o momento, tão meu, só meu…
Vou ao quarto, depois de colocar a louça suja no mármore frio, e visto-me. Peça por peça, escolhida aleatoriamente sem grande cuidado, mas com um resultado normalmente satisfatório. Recorro ao espelho para me maquilhar, disfarçando as olheiras insistentes e desejo um bom dia a mim mesma.
Começo assim…
E cá estamos nós novamente num encontro de palavras. Aparentemente, hoje estou inspirada. Voltando ao que interessa… mas que vida cansativa! Andamos tanto de um lado para o outro que nos esquecemos de que temos em casa sofás e televisão e um bom cobertor para o fim-de-semana… pois este fim-de-semana vou usa-los. Vou começar esses dias com uma boa música, uma boa vela, incenso… uma chávena de leite com café bem morna e o meu sofá aconchegante com aquele cobertor quentinho. Ah, o fim-de-semana…
Admito que ando viciada em comportamentos alheios. Quando vou pela rua, quando entro em lojas, quando vou às compras, quando estou com a família, quando estou com os amigos, quando vou ao café, etc. A vida das pessoas realmente fascina-me. Não, não é um caso de “cusquice” porque realmente dessa “doença” nunca sofri, mas quando se começa a observar os movimentos e comportamentos das pessoas… consegue-se perceber o que a pessoa é, como é, o que faz, o que pensa… e se tivermos bem atentos, às vezes até conseguimos perceber o que querem! Questão de psicologia, mímica, dom ou pura atenção? São tantas as coisas que podemos fazer… principalmente se em vez de nos pavonearmos em frente aos outros só para chamarmos atenção (como a maioria das pessoas faz), nos limitassemos a passar algum tempo dedicado os outros. A meu ver, aprendemos muito mais. Quando o fazemos, começamos a ter mais noção do que somos para eles em vez de apenas sabermos o que os outros são para nós. De certa forma, sinto-me aliviada por saber que conheço as pessoas à minha volta, principalmente amigos, e saber a melhor forma de cuidar deles. Porque às vezes, um gesto de ternura cai bem.

